terça-feira, 28 de julho de 2009

chuva e não, de Sidney Wanderley


Nascido em 1958 em Alagoas, ele já publicou vários livros de poesia, é poeta lido e respeitado entre poetas. Acaba de publicar novo volume — recém-saído do forno, ainda não oficialmente lançado —, o lindo, comovente chuva e não (Maceió: Edições Catavento, 2009), que, segundo o próprio Sidney, “reúne o que o autor suporta ler de quanto produziu em trinta e três anos de exercício literário”. Exageros à parte — há ótimos poemas do autor deixados de fora —, o volume traz o melhor do muito bom, la crème de la crème, poesia pra se guardar e reler sempre. Dois aperitivos:

Gavetas

Aquela foto sobre a cômoda da tia
fez-me esquecer o que ali eu procurava,
e que jazia (e talvez ainda jaza)
nas gavetas que o tempo desfaria.

— Pois as gavetas que por certo eu perseguia,
repletas de memórias, e de poesia,
era em mim que se fechavam e se abriam.

Chuva e não (II)

Há dias em que chove poesia.
Dias em que pinga.
Dias em que não.

Cautela para os primeiros.
Atenção para os segundos.
Dos últimos, o áspero
aprendizado do silêncio,
a dura ração da recusa.

Alheios a chuva e poesia,
os dias prosseguirão.

* Imagem daqui

15 comentários:

ADRIANO NUNES disse...

Janaína,

Ótimo saber! Quando for oficial o lançamento do livro, com certeza, vou adquirir um exemplar.
Fico feliz por ter gostado do poema que fiz para Mário de Sá-Carneiro... e da nova foto!

Abraços!
Adriano Nunes.

Maria Muadiê disse...

Gostei. Especialmente Chuva e não, vou até roubar pra mim.
beijo

Anônimo disse...

JANAÍNA,

Mais uma vez obrigado pela
força, e pela belíssima ima-
gem a divulgar o "CHUVA E
NÃO".
Abraço do SIDNEY WANDERLEY

Anônimo disse...

Olha só, esse rapaz Sidnei tem presente. Também tem passado. Veja só um dos seus passados: A Velha:
Com sua mão nodosa e crispada
pelas dores da artrite malfazeja,
ela colhe, uma a uma, as torradas,
coloridas no sol tênue da manteiga.
E depois de ter a fome atenuada,
remigra para dentro de si mesma.
Caramba!
Sydney Augusto

Anônimo disse...

Desconfio seriamente que este Sidney Augusto é o meu temido
sósia Luiz Carlos.
Abraço do SIDNEY WANDERLEY,
o vero.

Janaina Amado disse...

Êpa! Apareceu aqui um Sydney Augusto, que não é o poeta Sidney Wanderley, mas sem dúvida conhece poesia: "A velha", que transcreve, é um dos belos poemas de "Chuva e não".

Aninha Pontes disse...

E quantas vezes procuramos nossos guardados de lembranças em lugares que não estão.
Temos nossas gavetas próprias, que as fechamos.
Muto bonito.
Um beijo querida.

Angelita Passos disse...

Estou encantada com a sensibilidade deste poeta, que eu não conhecia. Onde posso adquirir o livro?

Nydia Bonetti disse...

Gostei demais, Janaína. Uma beleza a poesia Sidney. Ele não tem um blog ou um site? Chuva e não, achei fantástico. Fico sempre feliz quando vejo bons poetas publicando seus livros. beijos.

dade amorim disse...

O conjunto da imagem com os poemas está perfeito e delicioso de ler/ver.
poesia é uma arte semivisual, não é mesmo? Guardei tudo aqui, e se você não se importar, um dia vou postar essa foto e também falar de Sidney. Ele tem uma página na internet? Gostaria bem de ter o livro.
Um beijo pra você e um fim de semana muito alegre e sem chuva.

Anônimo disse...

DADE,
favor informar seu endereço para que eu possa lhe enviar um exem-
plar do CHUVA E NÃO.

SIDNEY WANDERLEY

Anônimo disse...

DADE,

Meu e-mail é
sidneywanderley@yahoo.com.br

SIDNEY WANDERLEY

Anônimo disse...

ANGELITA E NYDIA,

Favor informar seus endereços
para que eu possa enviar o
CHUVA E NÃO.
Meu e-mail: sidneywanderley@yahoo.com.br

SIDNEY WANDERLEY

Ricardo Cabús disse...

Janaína,

Este é um belo livro. Coincidentemente havia selecionado o poema "Chuva e não" para a segunda leva do Minuto de Poesia da Educativa (Na primeira havia "A velha") e também para o Papel no Varal de julho. Nesta terça, 18, teremos uma nova edição do Papel no Varal com 100 poemas, sendo um do Sidney. Você e seus leitores serão muito bem-vindos. Grande abraço e parabéns pelos blogs.

RAUL POUGH disse...

Tudo o que fala de chuva me interessa. E me emociona e me comove. Como este texto. Desculpe a audácia, mas pirateei e publiquei no meu blog. Abç

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