quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O velho Machado sabia


[Tenho a impressão de que Machado de Assis, no final de sua vida e da obra, sabia tudo que é possível a um homem saber sobre a existência. Ao ler sua imensa (nos dois sentidos) obra, me delicio sempre com a cultura, imaginação, estilo, perspicácia do autor... Sabia tudo, realmente. Abaixo, pequeno trecho de um ensaio onde Machado apresenta, com simplicidade, sua sugestão para o difícil, perene dilema do regionalismo X universalismo em literatura:]


“Não há dúvida que uma literatura, sobretudo uma literatura nascente, deve principalmente alimentar-se dos assuntos que lhe oferece a sua região; mas não estabeleçamos doutrinas tão absolutas que a empobreçam. O que se deve exigir do escritor antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço. Um notável crítico da França, analisando há tempos um escritor escocês, Masson, com muito acerto dizia que do mesmo modo que se podia ser bretão sem falar sempre do tojo, assim Masson era bem escocês, sem dizer palavra do cardo, e explicava o dito acrescentando que havia nele um "scotticismo" interior, diverso e melhor do que se fora apenas superficial.”

"Notícia da atual literatura brasileira. Instinto de nacionalidade", publicado originalmente em "O Novo Mundo", 24/03/1873.
Obra Completa de Machado de Assis,Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994]

6 comentários:

valter ferraz disse...

Janaína,
ele fala do quão difícil é a vida do escritor. Sempre à busca do melhor tema, às vezes esquecendo-se que o melhor está alí ao lado dele, bem à sua frente; quase sempre em cima da mesa de trabalho o que ele procura em outras plagas.
Bom, esse Machado. Não acha?
Claro que acha, né?
Beijo, menina

Dalva M. Ferreira disse...

Oi, Janaína! Primeiramente, obrigada demais pela sua visita ao meu blog "Poesias Soltas", e pelas gentis palavras. Quanto a Machado de Assis, só uma observação: preciso ler muito mais!!! Ele e outros grandes que o Brasil tem. Um abraço.

CeciLia disse...

Janaina,
espero que a esta altura teu dedo em gatilho seja apenas lembrança e motivo de riso e algum alívio. Estas cicatrizes não doem para sempre. Só as feridas que nunca curam e que nós médicos tampouco sabemos por que vêm é que doem até sempre. Beijo na alma boa.

Menina da Ilha disse...

Lia Machado de Assis na minha escola lá no meu interior. E lia só para fazer prova, mas não aprendíamos interpretá-lo. Na faculdade conheci o verdadeiro Machado e me apaixonei. Seus livros são guardados a sete chaves aqui em casa e tudo que é relacionado a ele é de meu total interesse. Que bom encontrá-lo no seu blog.

Marisa Pimenta disse...

Adoro Machado de Assis, já li mto. Vi esta semana a série "Capitu" e até me surpreendi, ficou mto bem feita e de uma estética cênica inquestionável.Gostei demais. Vc fez comentário no blog da minha filha Tânia e vim te conhecer. Adorei o q li. Me visite no vivendodehistorias.blogspot.com eleia alguns textos meus e tb os q gosto e copio. Te espero seja bem-vinda. Bjks

José Antonio Martino disse...

LIVRO MEMORIAL DO BRUXO

Se você gosta de Machado de Assis, conheça o livro MEMORIAL DO BRUXO, uma excelente biografia do “bruxo do Cosme Velho”, contendo inúmeras informações, anedotas e curiosidades a respeito da vida e obra do escritor. Basta clicar no link abaixo:

http://clubedeautores.com.br/book/4900--MEMORIAL__DO__BRUXO

ou visite o blog:

http://machadodeassis-memorialdobruxo.blogspot.com


(Se esta informação o ofende de alguma forma, por favor, apague-a sem dó nem piedade)

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