quarta-feira, 21 de outubro de 2009

À beira do Tejo


[Hoje acordei com saudades de Portugal. Imagens lindas e ternas do país e de sua gente me voltam, são tantas... Hoje acordei com saudades de Portugal. Para diminui-las, copio abaixo o poema deste jovem poeta brasileiro]

À beira do Tejo

Finjo não ver: a noite
me esconde, e não sei
mais o que é preciso.
Finjo que vou à janela
e grito os palavrões
habituais. Finjo ser
Fernando Pessoa,
a fingir as dores de si e de
todos em volta de si. Mas
finjo sem a mesma
convicção: não, não há como
ser Fernando Pessoa, e há
essa outra vida no além mar,
no depois. Finjo a inteira
consciência deste outro,
deste lado do Atlântico.
A essa hora da noite,
entretanto, finjo mais que tudo
o cigarro que jamais traguei.

Nilson Galvão

* Há mais poemas do Nilson Galvão aqui
** Imagem
daqui

17 comentários:

Nilson disse...

Como sempre, feliz e grato. E honrado, muitíssimo honrado por estar aqui no Enredos e Tramas. Valeu, Janaína!!

Maria Muadiê disse...

Nilson é beleza pura.

Meg disse...

Janaína,

Tuas saudades de Portugal, me trazem as saudades do Brasil que não conheço mas que tanto me lembra a minha infância e juventude em África, essa Angola e Moçambique que não existe mais como a conheci...
E o Rio de Janeiro me faz sonhar com a baía de Luanda... quem sabe se um dia não vou aí conferir!

Adorei o poema... uma homenagem a Pessoa e não só.

Acho que vou levá-lo comigo.

Um beijo

Amélia disse...

Gostei de tudo.Da imagem, daas saudades referidas, do belo poema de um autor que não conhecia. Será que ele se importaria que eu o divulgasse?
Abraço amigo

Amélia disse...

Gostei de tudo: das saudades, da imagem e do belo poema de um poeta que passei a conhecer.Será que ele se imoportaria que eu divulgasse este poema?

Janaina Amado disse...

Nilson, eu é que fico feliz de ter seu poema aqui. Amélia, tenho certeza de que Nilson Galvão não se opõe a que divulgue seu poema - ao contrário! :-)
Meg, o Rio de Janeiro que eu conheci também não existe mais fisicamente - só em minhas memórias, e nisso lembra tua Angola e Moça,bique.
Abraços a todos.

Mar Arável disse...

Gostei

Bem-vinda ao meu mar

Diz disse...

Poxa, estes dias falei de Portugal tb, saudades... fui feliz lá, bjs Laura

Gerana Damulakis disse...

Nilson é um poeta verdadeiro. O belo poema vem passear do Blag para o Enredos, assim multiplicando os leitores.

Raquel Machado disse...

Ola,
Desculpe a demora em retribuir sua visita vim te convidar a participar de um concurso que estou fazendo no blog se chama CONTADOR DE HISTORIAS o tema de outubro e hallowee se quiser passa la dar uma conferida esta no menu lado direito.
http://kriativa.zip.net

Bjos

Ana Tapadas disse...

Belo poema!
Ah o Tejo...
Beijinho

Nydia Bonetti disse...

Gostei muito da poesia do Nilson, Janaína. E eu que não conheço Portugal, senti saudades... Beijos.

Barbara disse...

Saudade não está nem aquém nem além mar.
É o mar.
Assim como Pessoa não é do Tejo ou de Portugal, é do mundo, universal.
Cabe em cada alma e não depende de geografia não, por isso talvez navegar seja tão preciso...
O poeta brasileiro é muito bom!

cirandeira disse...

Gostei muito do poema de nilson Galvão. Ainda não o conhecia. Se o poeta, como dizia Pessoa, é "antes de tudo um fingidor", ele está de parabéns! E vc Janaína, por apresentar-nos. Obrigada.
Bjs

claudio rodrigues disse...

Poemas belos, a saudade mora neles. beijos.

Aninha Pontes disse...

O poema é lindo, mas a foto é estonteante.
Belíssima Portugal.
Beijos e boa semana.

Anônimo disse...

Cada palavra é a partida para um encontro – muita vez anulado – e só é verdadeira quando, para esse encontro, ela insiste, a palavra. Yannis Ritsos, poeta grego.

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