sábado, 7 de março de 2009

Para o Dia Internacional da Mulher

[Escrito em 1941, este poema de Jacinta Passos expressa a situação da maioria das mulheres brasileiras daquela época. Neste Dia Internacional da Mulher de 2009, dedico-o às muitas mulheres do Brasil e do mundo que, quase setenta anos depois, infelizmente ainda vivem na mesma situação. Desejo que, em breve, graças às ações de todos nós, este poema seja evocação do passado.]

Canção simples

Jacinta Passos

A flor caída no rio
que a leva para onde quer
sabia disso e caiu,
seu destino é ser mulher.

Leva tudo e segue em frente,
amor de homem é tufão,
o de mulher é semente
que o vento enterrou no chão.

Mulher que tudo já deu,
homem que tudo tomou,
é mulher que se perdeu,
é homem que conquistou.

Mulher virgem, condição
para homem dar – nobre gesto –
resto duma divisão
se a divisão deixou resto.

No sangue, a honra é lavada
de homem que mulher engana,
mulher que vive enganada
coitado! fraqueza humana.

A flor caída no rio
que a leva para onde quer,
sabia disso e caiu,
seu destino é ser mulher.

[In: Jacinta Passos e Manoel Caetano Filho. Nossos Poemas. Salvador, A Editora Bahiana, 1942]

16 comentários:

Cristiane Marino disse...

Janaina!

Você é filha de Jacinta Passos? nossa quanta alegria conhecê-la ainda que seja pela internet.
Mulher guerreira e incrivelmente sensível. E você não é diferente pelo que acompanhei em seus blog´s.
Quando você pretende publicar o livro "Memórias de Jacinta Passos"?.
Linda homenagem para o dia da mulher!!!perfeita! Parabéns
beijossss

Dalva disse...

Uma homenagem muito bonita, Janaína!

Sucesso na publicação dos belos poemas de sua mãe!

Beijos!

Carlos Barbosa disse...

Muito bonito, o poema, muito bonito... Abr. (carlos)

Maria Muadiê disse...

Jana, conheci um pouco da históra e poesias de Jacinta Passos em um curso de literatura que fiz.
Se depender da minha torcida, pode apostar que o livro já está nas livrarias. e um exemplar, é claro, em minhas mãos.
Seu carinho me faz bem, achei lindo o que você falou sobre aceitar nossas heranças.
Um beijo,
Martha

adelaide amorim disse...

Lindo o poema, e ainda atual em tantos casos - nem é preciso ir ao interior, mesmo em nossas grandes cidades, mesmo entre tanta gente culta e "esclarecida". um beijo e parabéns pela homenage, pelo dia e pela mãe que você teve.

Ana Tapadas disse...

Bela homenagem às mulheres.
Que lindo poema.
Beijinho

claudio rodrigues disse...

Lindo poema este, Janaína. Publique aqui mesmo mais coisas de sua mãe, por favor. Belo belo. Indiquei pra vc um selinho, mas vi que vc já tem no outro blog e já fez sua lista de oito coisas que pretende fazer... Veja as minhas.. Abraço...

aeronauta disse...

Como é ser filha de Jacinta Passos?

Aninha Pontes disse...

Seria realmente muito bom, que fosse apenas uma evocação do passado, mas sentimos sempre tão perto.
Que o seu dia seja de muita luz, muita alegria e amor.
Beijos, grande mulher.

Adelino disse...

Janaina, de lá para cá as mulheres conquistaram direitos materiais e principalmente o respeito sentimental dos homens. É pena que ainda existam lugares em que o relacionamento homema-mulher ainda funciona do modo como diz a poesia.
Um abraço, e feliz semana.

M. disse...

Lindo demais, Janaina, lindo demais!!! Beijos e parabéns pelo nosso dia. M.

maria guimarães sampaio disse...

Você e Jacinta sempre a me emocionar, me levar às lágrimas.
Beijo pra você, Jana.
De Maria

Denise disse...

Ha certas emoções que calam.
Beijos
Denise

Anônimo disse...

Jacinta Passos, poetisa de primeira grandeza, jornalista que tinha a cabeça avançada demais para a época dela. Deve ter sofrido muito. Morreu nova, abandonada, ensinando os pescadores nas barrancas do rio Sergipe, morando solitária numa cabana beira-rio, sem nenhum conforto. Merece um belo e comovente filme.

Anônimo disse...

Jacinta Passos, poetisa de primeira grandeza, jornalista que tinha a cabeça avançada demais para a época dela. Deve ter sofrido muito. Morreu nova, abandonada, ensinando os pescadores nas barrancas do rio Sergipe, morando solitária numa cabana beira-rio, sem nenhum conforto. Merece um belo e comovente filme.

Raiça Bomfim disse...

Que sorte a minha encontrar os versos de Jacinta!

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